Apoio Psicológico

Página  da responsabilidade dos  psicólogos :

Dr. José Antonio Machado Teixeira - Tlm: 934579934 - Fixo: 214580702

e Dr. Fernando Eduardo Barreto Mesquita - Tlm: 969091221 Mais informações: http://sexologia.no.sapo.pt

Grupo de Apoio Psicológico da Opus Gay

GRUPOS TERAPÊUTICOS DE INTER-AJUDA LGBT

A ideia da criação de Grupos Terapêuticos de Inter-ajuda para Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgenders (LGBT), com o apoio da OPUS GAY, surgiu por se reconhecer que a possibilidade de partilhar experiências, emoções e sentimentos individuais, num grupo empático, é extremamente benéfica. A presença de dois técnicos de saúde mental, ambos com formação superior adequada em Psicologia Clínica, um dos quais com especialização em Sexologia e o outro com especialização em Terapia Psicodinâmica, permite uma análise e reflexão mais profunda dos assuntos que vão sendo abordados ao longo das sessões.

 

Para muitos LGBT, nunca houve a possibilidade de expressarem os seus sentimentos com amigos, ou até mesmo com familiares, por não se sentirem seguros para o fazerem. Esta é uma óptima oportunidade para poderem comunicar, num ambiente seguro e empático, o que foram guardando ao longo dos anos, com medo de serem criticados, desvalorizados, ou até mesmo mal-tratados. Mesmo que, inicialmente, não se sintam com à vontade para falar num grupo, ao ouvirem outros participantes, muitos acabam por se identificar naquilo que é transmitido, o que origina reestruturações cognitivas que vão permitir lidar de forma diferente com as mais diversas situações.

O trabalho desenvolvido nos Grupos Terapêuticos não visa aprofundar as questões inerentes à génese da homossexualidade de cada um dos que procuram o apoio terapêutico, mas sim ajudar a encontrar formas de lidar e ultrapassar algumas situações subjacentes a esta condição. Neste sentido, no início de cada sessão de trabalho é apresentado um tema que, eventualmente, terá emergido na sessão anterior tornando-se um continuou do processo de descoberta do próprio grupo em si, e de cada um dos membros.

O assumir da sexualidade, a homofobia internalizada, a baixa auto-estima, a depressão, a raiva, a solidão, as Doenças Sexualmente Transmissíveis, e os relacionamentos são dos temas mais marcantes do trabalho terapêutico que se tem vindo a realizar com estes grupos. Não será difícil compreender o porquê do despoletar destes temas, se considerarmos que ainda vivemos numa sociedade heterossexista, em que tudo o que foge a esta norma é social e culturalmente encarado como algo perverso ou doentio.

Porque vivemos em sociedade, e porque a sociedade em que vivemos continua a recorrer a “normas” sociais que permitem estigmatizar tudo o que é diferente, muito gays acabam por interiorizar estas “normas” sociais e com isso perdem a capacidade de serem PESSOAS na sua plenitude. Tornam-se indivíduos que embora com desejo por outras pessoas do mesmo sexo, encaram este sentimento como algo de errado e, por isso, algo que deve ser evitado ou, no mínimo, escondido dos outros. Criam uma “máscara” que não lhes permite entregarem-se a 100% nas suas relações de amizade, familiares, ou até mesmo amorosas. Criticam os seus comportamentos e procuram reprimir o seu desejo sexual, mesmo que isso lhes provoque um forte sofrimento e desgosto pela vida.

O assumir da sexualidade ( comming out ou sair do armário ) é um processo complexo de transformações intra-psíquicas e inter-pessoais que se estendem ao longo do desenvolvimento. Neste campo, pretende-se fazer compreender que o “ assumir-se ” pode ser baseado numa vivência individual mas plena, e/ou numa abertura a terceiros. Não se procura que os participantes espalhem pelo mundo a sua homossexualidade, mas sim, que vivam bem com ela, sem se auto-recriminarem, quer tenham, ou não, necessidade de contar a outras pessoas os seus desejos. Para que este processo seja conseguido em absoluto é necessário reconhecer e aceitar os próprios sentimentos homo-eróticos. Tarefa simplificada através de ajuda terapêutica que visa proporcionar uma boa auto-estima, bem como, uma identidade pessoal, social e relacional satisfatória.

A ausência de padrões de comportamentos com os quais gays e lésbicas se possam identificar leva a que muitos adoptem condutas características dos heterossexuais, quando não tem que ser assim forçosamente. O relacionamento de um casal homossexual não tem que ser obrigatoriamente igual ao de um casal heterossexual. Através da partilha de vivências, no grupo terapêutico, é possível estabelecerem-se modelos com os quais estas pessoas se possam identificar.

A solidão é dos assuntos que mais surgem ao longo das sessões de grupo. As oportunidades para se conhecerem outros gays e lésbicas fora dos centros urbanos são muito limitadas, embora, actualmente, a Internet tenha um papel importante como forma de escape para algumas destas situações. A idade, a falta de confiança no outro, a necessidade de procura constante de algo novo e excitante, são mais alguns dos entraves apresentados para se estabelecerem relações de compromisso mais estáveis e duradouras. Para além do mais, não podemos negar que no mundo gay, existe uma forte pressão sobre um ideal de beleza corporal, que poucos conseguem alcançar. Neste sentido, por vezes é necessário discutir, ao longo das sessões, assuntos relacionados com a imagem corporal.

As Doenças Sexualmente Transmissíveis, também são tema de discussão nestes grupos. A intervenção neste aspecto abrange não só a preocupação em transmitir conhecimentos de formas de protecção face a estas doenças, bem como estratégias para lidar com a situação em casos de participantes infectados.

Estes são apenas alguns dos temas trabalhados durante o percurso terapêutico, não existindo uma construção estanque das sessões terapêuticas, antes pelo contrário, os temas abordados são aqueles que os intervenientes consideram mais relevantes para serem discutidos durante a sessão de trabalho.

Os grupos consideram-se formados sempre que existem seis a oito elementos, não sendo permitidas entradas posteriores, de novos elementos, no mesmo grupo, salvo raras excepções, para não haver retrocessos na dinâmica do mesmo. Antes de ser integrado num grupo, o participante deve fazer uma entrevista individual, gratuita, com um dos psicólogos responsáveis pelo projecto.

Estas sessões ocorrem mensalmente em Carcavelos e têm uma duração aproximada de hora e meia. É pedido o pagamento de 10€, por sessão, a cada participante para ajuda da manutenção do espaço, onde os grupos se reúnem, e para a própria OPUS GAY poder fazer face às suas despesas enquanto organização não financiada pelo Estado Português.

Os interessados poderão contactar directamente a OPUS GAY ou qualquer um dos psicólogos envolvidos no projecto.

O poder do apoio de grupo é algo que não pode ser descrito. Tem de ser experimentado!!

Fernando Eduardo Barreto Mesquita

Tel: 969091221

http://sexologia.no.sapo.ptpsicologiananet@sapo.pt

Grupos de Inter-Ajuda para pessoas com dificuldades de Orientação Sexual

A ideia dos grupos de inter ajuda para pessoas com dificuldades de orientação sexual, sem limite de idade, surge-nos na sequência das mesmas dificuldades que essas mesmas pessoas sentem em aceitar-se a si próprias e consequentemente a sentirem-se aceites no meio sócio-familiar e no mundo laboral.

Na realidade, são casos de percursos de vida, que pouco ou nada têm a ver com outras realidades de vida e por isso carecem de ser integrados numa outra perspectiva de experiência de troca de vivências pessoais, análise e reflexão da sua própria personalidade e carácter, beneficiando de ajuda e interpretação técnica.

Para isso os grupos são constituídos por um numero máximo de seis a oito elementos e reúnem-se uma vez por mês numa sessão de dinâmica de grupo que terá uma duração aproximada de hora e meia na presença de dois técnicos de saúde mental, ambos com formação superior adequada em psicologia clínica, um sexólogo de orientação cognitivo comportamental e um psicoterapeuta de orientação dinâmica.

Após um primeiro contacto em entrevista individual, gratuita, o caso será estudado e acordado entre ambos, psicólogo e futuro elemento do grupo se este deve ou não beneficiar de uma psicoterapia individual e de que tipo, ou de vir ou não a integrar-se num grupo já formado e qual, sendo-lhe para isso pedido apenas uma comparticipação simbólica de dez euros por sessão, para ajudas de manutenção do espaço onde o projecto funciona e o grupo se reúne ou seja, em Carcavelos.

Os grupos integram e procram encontrar respostas para todas as pessoas com dificuldades de orientação sexual, sejam elas quais forem, partindo do pressuposto que, o grande problema, quer no homen, quer na mulher é sempre a desvinculação do objecto primário da mãe, uma das principais causas da síntese das perturbações da psicosexualidade.

Quer no homen, quer na mulher a desvinculação á mãe vai operar-se pela autonomização progressiva, com corte sucessivo dos laços de dependência, individuação/separação, na sequência da observação e experiência pessoais conduzindo a uma individualização expecificante a uma identidade ao sentimento de eficiência e á noção de competências próprias, a eficiência necessária mas suficiente, herdeira da omnipotência infantil.

Diferencialmente enquanto no homen o processo de desvinculação primária se faz principalmente por transferência do investimento para um objecto semelhante á mãe, na mulher faz-se por identificação á mãe captando o amor do pai numa situação passiva e de sedução.

Assim sendo pode verificar-se uma inversão, no homen, do processo de desidentificação á mãe por um processo de identificação a essa mesma mãe, ou a figuras de substituição materna.

Na mulher pode verificar-se por inversão uma continuação do vínculo primário á mãe sem que haja uma tarefa de desligação. relação amorosa com a mãe.

Quer isto dizer que a grande dificuldade no homen é a dêsidentificação á mãe, que com maior ou menor volume, sempre existe, uma vez que foi ela o primeiro objecto de identificação , enquanto que a grande dificuldade evolutiva na mulher é ao nível da mudança de objecto libidinal, da mãe para o pai, uma vez que a mãe foi o primeiro objecto de amor.

Deste modo, na bissexualidade psíquica masculina predominam em vários níveis de graduação, os traços de identidade femenina, enquanto que na bissexualidade femenina predominam em vários níveis de graduação os traços de identidade masculina, toda esta dinâmica em diversos contextos contém uma preponderância das chamada intersexualidades psíquicas desde a homossexualidade, á transsexualidade, á bissexualidade, ao transvestismo, ás inibições várias, com consequências e disfunções de varia orden.

A finalidade da dinâmica, meta psicológica do funcionamento dos grupos, é restituir aos seus elementos a sua auto-estima bem como o reconhecimento do direito á felicidade, ao amor e á libertação de todo e quaisquer sentimento de culpa. Bem como a conciliação entre a irreverência e a afirmação da sua opção sexual e o receio da exclusão social.

Pelo: Dr. José António Machado Teixeira


Notas sobre o processo de identidade sexual

(O porquê de uma Psicoterapia)

A identidade é um mecanismo de elaboração intrapsíquica em que a essência de um objecto completamente diferenciado é criada -recriada no interior do próprio a imagem e semelhança daquele, sendo portanto assim que se organiza o ideal do Eu/Supereu pós-edipiano, herdeiro do complexo de Édipo .

Margaret Mahler (1968) designa-o como um processo ou como resultado dum processo finalizado na infância. A identidade seria assim já visível no fim da fase da separação-individualização, quando se organiza uma representação estável do próprio (Self).

A diferença de uma pessoa para outra não reside no corpo ou no somatório orgânico visível . Reside muito mais no sentimento í ntimo de possuir uma capacidade pessoal de funcionar de uma determinada maneira, de ocupar um certo espaço individualizado, de realizar determinados atributos diferenciais, de ter uma auto -imagem; reside na ideia que a pessoa tem de si, do seu próprio corpo, da sua totalidade.

Assim sendo, prefiro falar de psicossexualidade, ou seja, da sua representação mental interiormente instituída, dentro de cada um, pessoal, a seu modo.

Desde os trabalhos de Erik Erickson, sabemos que a aquisição de uma identidade, social ou psicológica, é um processo extremamente complexo, que comporta uma relação positiva de inclusão e uma relação negativa de exclusão. Define-se por semelhanças com uns e por diferenças com outros. O sentimento de identidade sexual obedece, também ele, a estes processos e é ao longo das sessões de psicoterapia na nova relação dinâmica entre o psicoterapeuta e o paciente que se vai reformulando todo o percurso percorrido até ao momento em que cada sessão acontece. Auxiliado pela intervenção interpretativa do psicoterapeuta, o paciente vai recriando a sua identidade, reconciliando -se com os acontecimentos traumáticos do seu passado, presente e futuro, o qual vai projectando, experimentando, exponenciando e descobrindo-se a si próprio, com vista à plenitude do simples facto de se sentir bem consigo e com os que o rodeiam, aprendendo a perdoar-se, a ajudar-se e a auxiliar-se no caminho do seu próprio bem-estar, sem m á goas nem ressentimentos, mas compreendendo-se a si e aos outros num processo interminável de paz consigo e com o mundo.

José António Machado Teixeira - Psicoterapeuta

Membro efectivo da Sociedade Portuguesa de Psicologia Clínica - Carteira Profissional n. o 152


- Está Activo o Grupo de Apoio Psicológico -

Grupo de Apoio Psicológico e Terapia em grupo.

O grupo terapêutico de auto-ajuda promove a construção da identidade sexual e da identidade de género através da partilha de experiências de vida e percursos pessoais, reconhecimento de características, semelhanças e diferenças permitindo a cada um o quebrar de sentimentos de isolamento libertando-se da aprovação e da reprovação social e afectiva. O grupo na sua interacção promove sentimentos de pertença e sedimenta a identidade e auto-estima proporcionado a auto-realização através da consciência de si e da auto-aceitação dos seus conflitos e projectos pessoais.

Todos temos os nosso dias bons e menos bons...Sabemos que a descoberta de sentimentos, o lidar com as nossas sensibilidades nem sempre é fácil ...Principalmente quando descobrimos que somos uma minoria entre muitos iguais...

Não é vergonha pedir ajuda nem é humilhante partilhar experiências. Por vezes é difícil  não saber resolver os nossos problemas, lidar com os nossos sentimentos...

Temos técnicos credenciados disponíveis para dar apoio e acompanhamento gratuito. Qualquer problema de orientação sexual, relacionamento, abordagem da família e amigos.
Conta connosco!

Este convite estende-se a familiares e amigos que desejem saber lidar com  situações de orientação sexual. Não tenha receio venha conhecer-nos e ver como podemos ajudar. Se estás interessado em participar e partilhar e tua experiência contacta-nos.

 Contacta-nos com indicação do primeiro nome, data de nascimento, telefone de contacto e e-mail.

Contactos

Avaliação e intervenção individual ou em casais

Numa sociedade que (ainda) é heterossexista, não é estranho surgirem alguns técnicos de saúde (por exemplo, médicos e psicólogos) incapazes de perceber determinados problemas vividos por alguns gays e lésbicas.  Para não falar daqueles que, por diversas razões, são eles próprios homofóbicos, o que, como é óbvio, não permitirá aceitarem totalmente os problemas dos homossexuais que os procuram.

Só um profissional com capacidade para perceber as questões específicas desta população e do contexto em que vive, poderá ensinar gays e lésbicas a lidar com as dificuldades no relacionamento com a família, amigos, colegas de trabalho e em muitas outras situações do dia-a-dia.

Neste sentido, podem ser realizadas algumas intervenções ao nível da psicologia afirmativa (o problema não está no objecto de desejo sexual, mas sim no preconceito social) e na gestão de conflitos de casal, (com todas as especificidades destes casais)...

Mensagem enviada para o Grupo de Apoio Psicológico

(Anónimo) Vivo num mundo de fantasia. Sou uma pessoa que pareço feliz, mas a tristeza que vai dentro de mim é enorme, pois sou gay e não o posso assumir perante a minha familia e amigos, pois vivo num meio pequeno e em que ser diferente é crime. Tenho medo da reacção de meus pais e amigos caso venham a descobrir a minha verdadeira orientação sexual. Tive várias namoradas mas apenas para disfarçar perante a sociedade as minhas verdadeiras paixões. Porque será que em Portugal é tão dificil em Gay assumir-se? Será que não compreendem que apenas sou diferente? Qual a maneira mais fácil de me assumir? Tou farto de esconder de toda a gente o que sou verdadeiramente. Gostava de conhecer pessoas que fossem iguais a mim e me ajudassem.
Resposta :

Caro amigo, 

    São raros os pais que imaginam a possibilidade de uma sexualidade "diferente" para os seus descendentes a não ser, eventualmente, quando surgem notícias desta temática (por exemplo: paradas e/ou casamentos gays/lésbicos). Perante tais eventos, geralmente, confrontam-se, com questões como:

                                                            "e se o meu filho (ou filha) for assim ?".

    Todavia, este raciocínio esvai-se, na maioria das vezes, pouco tempo depois. No entanto, embora faça parte das suas principais preocupações, não significa que encarem com tranquilidade uma orientação sexual diferente para os filhos.

    Num estudo realizado em Portugal verificou-se que  40,3% dos progenitores aceitam a homossexualidade como uma variação aceitável das preferências sexuais das pessoas ... (mães = 42,6% e pais = 38,1%). No entanto,o seu discurso também revelou, na maioria dos casos, um posição de exterioridade, ou seja, uma atitude face a outros, face a um grupo do qual não fazem parte.

    Os gays e as lésbicas pertencem às mais diferentes idades, classes sociais, culturas, raças, nacionalidades e religiões, formando um grupo bastante heterogéneo. A incidência de homens predominantemente homossexuais, ou homossexuais exclusivos, na população mundial é de aproximadamente de 4% a 8% (Bancroft, 1989; Kinsey et al., 1972), estes valores descem para 2% relativamente a mulheres predominantemente homossexuais (Kinsey, Pomeroy, Martin & Gebhard , 1953).

Um dos aspectos mais importantes na vida dos jovens homossexuais é a forma como encaram a sua sexualidade. Muitos procuram reprimir o seu desejo por pessoas do mesmo sexo, devido à interiorização das pressões para o conformismo com as normas sociais vigentes. No entanto, estas experiências, na sua maioria, são infrutíferas pois são vivenciadas como não naturais e com baixa intensidade emocional. 

 Os gays e lésbicas passam por um processo de aceitação e divulgação da sua orientação sexual ou coming out que ocorre, normalmente, entre a adolescência e a jovem adultícia (este processo tem surgido cada vez mais cedo nas novas gerações). Verifica-se, cada vez mais, que os jovens que têm acesso à Internet assumem aí primeiro a sua homossexualidade e só posteriormente o fazem na vida real.

    Antes da aceitação da sua orientação sexual o adolescente homossexual aprende a criar para si próprio uma grande variedade de "máscaras" ou "falsas personalidades" para comunicar com as outras pessoas. A razão básica para este comportamento parece ser o medo de ser descoberto e consequentemente descriminado. Alguns destes jovens mantêm indefinidamente o recurso a estas estratégias, reprimindo os seus desejos sexuais o que requer muito esforço e fantasia. Estar constantemente a ocultar uma orientação e sobretudo uma relação homossexual, pelo medo omnipresente de ser descoberto, pode ter como consequência graves perturbações psíquicas.

    Usualmente, estes jovens experimentam a necessidade de discutir esta situação com alguém que lhes mereça confiança. Habitualmente, a primeira partilha dos sentimentos em relação à sua homossexualidade é feita a uma amiga na qual confiam, só posteriormente, e por diversos motivos, surge a necessidade de contar aos familiares. Este processo torna-se mais complicado quando o jovem suspeita que o afecto parental está condicionado à sua contribuição para o ideal da família heterossexual.

O meio envolvente pode ser outra fonte de angústia. Tal como grande parte dos grupos minoritários, as pessoas com uma sexualidade diferente tendem a ser vistas estereótipadamente (por exemplo: gays = homens efeminados; lésbicas = mulheres com comportamento de homens). Na verdade, ao contrário do racismo ou do sexismo, a homofobia é oficialmente admitida e, na maior parte das vezes, socialmente aceite. Na escola, por exemplo, alguns rapazes são apelidados de "meninas" porque preferem brincadeiras estereotipadas como femininas. Noutros casos, chegam a ser os adultos, por vezes familiares, a brindá-los com tal epíteto em tom depreciativo. Este tipo de comentários vai ganhando peso quantas mais vezes a criança o ouvir. É uma agressão que tem implicações, do ponto de vista psicológico, na sua auto-estima. Quando estes comentários surgem de um adulto com quem se tem uma relação de maior proximidade (e.g. pais), o efeito é ainda mais devastador. É que, durante a infância, a criança vai desenvolvendo uma ideia de como deveria ser para se sentir amada pelas figuras significativas e, ao mesmo tempo, a noção daquilo que é na realidade. Quanto maior for a discrepância entre ambas, menor é a sua auto-estima levando a uma sensação de desconforto e sofrimento.

É frequente, quando, ocasionalmente, um dos pais suspeita de uma possível homossexualidade de um dos filhos, fugir à mudança, guardando-a em segredo, inclusivamente do cônjuge. Habitualmente, são as mães as primeiras a suspeitar da homossexualidade do descendente, mas esperam que sejam estes a abordar a questão ou então mostram-se coniventes para manterem o segredo

Frequentemente, quando um filho ou filha assume a sua homossexualidade os pais descrevem nesta situação sentimentos do tipo "quem me dera que a terra me tivesse engolido" ou "a culpa é minha". Outras vezes, ficam tão abalados com a revelação que nem lhes conseguem dirigir a palavra.

Quando a homossexualidade de um dos filhos é revelada, existem certas estratégias que podem ser adoptadas entre estes e a família:

1) distanciamento, emocional e geográfico com a família de origem;

2) acordo tácito entre o indivíduo e a família em como não são discutidos aspectos da vida pessoal; 

3) confessar apenas a um dos elementos com o acordo de que não será dito a mais ninguém.

No entanto esta atitude não soluciona o problema. A família conhece a situação e evita-a, transformando isto numa formula para a alienação dos que mais ama.

Este momento é, normalmente, visto sob perspectivas completamente divergentes por pais e filhos. Os pais interessados em manter o "Mito da família heterossexual" têm uma sensação de perda ... o descendente encara este momento como uma sensação de vitória e alívio. Sente-se animado por poder pôr de lado a "máscara" e os sentimentos secretos que tinha em relação aos seus progenitores, sente que finalmente "saiu do armário" ("coming out of the closet"). Ironicamente, este momento leva muitos pais a sentirem-se, agora eles, "fechados no armário". A quem contar ? O que pensarão os outros sobre eles enquanto pais e educadores ?

Baseados na sua educação, carregada de estereótipos negativos sobre gays e lésbicas, os progenitores acabam, provavelmente, por projectar nos filhos um futuro sombrio. O heterossexualismo em que vivemos contribuí para a ignorância sobre os casais com uma sexualidade diferente, mesmo dentro dos próprios casais homossexuais, que acreditam que as relações entre sujeitos do mesmo sexo estão confinadas ao insucesso.

Fica claro que por detrás do mal estar sentido por pais e filhos está, inegavelmente, uma questão cultural. Ao longo da história, tem-se procurado negar esta orientação sexual, classificando-a como anormal, estéril, depravada e inútil para a sociedade. Neste sentido, ser gay ou lésbica é ainda uma situação que acarreta dificuldades que os heterossexuais não têm, a começar pela constante necessidade de justificar a normalidade da sua sexualidade. Os sentimentos que advêm destes preconceitos devem, no entanto, ser encarados e problematizados, com apoio externo, se necessário for, para que os pais não sejam mais uma dificuldade acrescida na vida dos filhos, mas um apoio importante, alguém com quem podem e devem contar.

Se realmente consideras importante revelar à tua família a tua orientação sexual, aqui ficam algumas dicas que poderão ser úteis:

  1. Estás mesmo disposto/a a fazê-lo? Não precisas de o fazer já, se não prevês melhorias na vossa relação.
  2. Tens energia e auto-estima suficiente para superar uma eventual reacção negativa por parte dos teus pais (não é aconselhável fazê-lo num momento em que estejas deprimido ou "em baixo");
  3. Se dependes financeiramente dos teus pais e suspeitas que eles te podem cortar o dinheiro que necessitas para os estudos ou forçar-te a sair de casa, é melhor esperares...
  4. Não utilizes a tua orientação sexual como uma arma em momentos de raiva ou durante uma discussão;
  5. Opta por uma altura em que os teus pais não estejam com problemas como a perda de familiares, problemas de saúde ou desemprego, para lhes contares;
  6. Quando fores contar, aos teus pais, começa por lembra-los do teu amor por eles;
  7. Explica-lhes que não tens sido capaz de ser completamente honesto/a para com eles e de que não gostas da distância que tem aumentado entre vocês nos últimos anos;
  8. Quando contares lembra-lhes que és a mesma pessoa hoje, só que mais feliz por teres tido a coragem de o ter feito...

 

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